Domingo, 22 de Julho de 2007

"Jogadores que valem tanto têm de fazer mais"






João Vilela é jogador do Gil Vicente, tendo representado anteriormente o Benfica. Passou por momentos de horror futebolístico em Barcelos devido ao "Caso Mateus" mas agora está confiante em fazer uma boa temporada ajudando o Gil a regressar à 1ª Liga e, quem sabe, dar o salto para um clube de outra grandeza.

O "Caso Mateus" assombrou a época passada. Como é que o assunto foi vivido pela equipa?
Foi complicado, principalmente para os que estavam do ano anterior, Foi uma luta intensa para ficarmos na 1ª Liga, onde já ninguém acreditava que conseguíssemos ficar. Conseguimos o milagre, precisamente contra o Belenenses, e não querámos acreditar que tínhamos a possibilidade de descer. Depois houve aquele problema todo, nós acreditamos nas pessoas do clube, sabíamos que a razão estava do nosso lado e que desportivamente ganhamos. Mas, há coisas mais fortes que o futebol.

Quais foram as consequências para a equipa e para os jogadores, visto que o Gil Vicente ia disputar a 1ª Liga?
A nível do clube, estavamos a pensar em fazer uma boa equipa para a 1ª Liga e fizemos. Mas tivemos de nos desfazer dos melhores jogadores, como o Carlitos, o Nandinho e o Gouveia, que eram os que tinham o salário mais elevado e que na 2ª Liga era complicado suportá-los.

Acreditas que se tivessem disputado os primeiros três jogos do campeonato, poderiam ter lutado pela subida de divisão?
Acho que sim, basta fazer contas. Na altura que nos tiraram nove pontos estávamos a um ponto do Guimarães. Se o Guimarães conseguiu subir, nós também tínhamos essas hipóteses. Na altura chegámos a sonhar um pouco com a subida mas quando retiraram os pontos o objectivo passou a ser a manutenção, e conseguimos.

O Gil Vicente tinha equipa para fazer a época que o Belenenses fez?
Era difícil. O Belenenses também construíu um grupo engraçado, uma boa equipa e as coisas correram bem. Nós, na 1ª Liga, o objectivo é sempre a manutenção, apesar do campeonato ter passado para 16 equipas e ser um pouco mais fácil evitar a despromoção. Mas não sei, não consigo prever essas coisas.

Quais os objectivos do Gil na próxima época?
Os objectivos esta época são claros, levar o clube ao lugar que merece, que é a 1ª Divisão.

Este ano vai-se disputar a Taça da Liga. Quais as aspirações do Gil Vicente na competição?
A participação na prova até é engraçada porque vamos, apesar de termos ficado abaixo dos oito primeiros lugares, jogar em casa. É importante para os clubes pequenos porque gera mais receitas e traz mais pessoas ao estádio. O nosso objectivo é passarmos as eliminatórias até onde conseguirmos e nos deixarem.

Por falar em levar mais pessoas ao estádio. Achas que a equipa do Gil Vicente sofre do problema de falta de público nas bancadas?
A cidade de Barcelos surpreendeu-me nos primeiros quatro meses em que estive cá por causa daquela luta que tivémos para não descer e o estádio estava sempre cheio. Barcelos gosta de futebol e gosta do clube. Agora, se calhar ficaram magoados com o futebol e deixaram de ir assistir aos jogos por causa disso. Mesmo assim, o ano passado sentimos algum apoio, que é sempre importante e este ano contámos com o apoio de todos para levar o clube para a 1ª Divisão.

Já jogaste na 1ª e na 2ª Divisão. Quais as diferenças entre as duas ligas?
As diferenças ainda são grandes. A qualidade do futebol, os estádios e os relvados. Apesar da 2ª Liga ser bastante competitiva, boa e com qualidade, as pessoas não se apercebem mas há jogadores com muita qualidade nesta competição.

Esperas dar o salto no fim da próxima temporada?
É um dos objectivos, mas preocupo-me em ajudar a equipa e se as coisas correrem bem individualmente melhor. Mas estou num bom clube, onde me sinto bem, mas, também, é óbvio que uma pessoa pensa sempre em dar o salto.

Tiveste propostas para abandonar o clube?
Não, nada de concreto. Só abordagens.

Chegaste a ser uma promessa no Benfica. Porque razão não singraste de águia ao peito?
O que se passou no Benfica foi que, como toda a gente sabe, não apostam nos jovens. Eu fui um desses casos, apesar da pré-época me ter corrido bem. Foi um bocado estranho porque aconteceram coisas extra-futebol. Depois voltei para a equipa B após ter feito a pré-época na equipa A. A época estava a correr-me bem, até surgir uma lesão grave. Apartir daí, o Benfica nunca mais se interessou nem eu tive mais oportunidades.

Se te dessem a escolher entre o Benfica ou outro grande, por qual optavas?
Optava sempre pelo Benfica. Saí magoado e triste do Benfica mas o meu coração é do Benfica e sou benfiquista desde pequenino.

Sentes-te tentado em experimentar o futebol estrangeiro?
É óbvio que sim. Já não há muito amor à camisola actualmente, e há vantagens económicas e uma família para sustentar. O futebol lá fora está mais forte económicamente, ainda por cima, cá subiram o IRS, há ordenados em atraso, clubes que devem meses, por isso lá fora está a ser mais aliciante. Mas, só vou para fora se compensar.

Quais as ligas que gostavas de experimentar?
A liga de sonho é a inglesa, mas há outras atractivas como Espanha, Itália, Holanda e a 1ª Liga portuguesa, onde gostava de voltar a participar.

Concordas com a proposta do sindicato, a criação de um fundo monetário para jogadores desempregados ou em fim de carreira?
Concordo. Acaba por ser uma garantia para os jogadores no final das carreiras. No fundo, é para termos ali algum, porque nós descontámos muito, temos uma carreira de curta duração e não se ganha tanto como as pessoas pensam. É uma ideia boa e inovadora.

És da opinião que a campanha dos sub-21 e sub-20 foram decepcionantes?
Para mim e para todos os portugueses foi decepcionante porque esperávamos mais. Os sub-21 têm jogadores de muita qualidade, que jogam em grandes equipas e campeonatos. Os sub-20, menos conhecidos, têm jogadores de muita qualidade também e é pena para os portugueses, por exemplo, verem os sub-20 perderem com a Gâmbia e o Chile que são equipas abaixo do nosso patamar.

Não és da opinião que a comunicação social tem um bocado de culpa na criação de expectativas?
É verdade, mas, nós jogadores, já temos que estar habituados a isso. O futebol é o momento, se está bem, está tudo bem, se está mal, está tudo mal. É preciso saber viver com isso. Agora, a culpa a nível de participações acho que não porque, por exemplo, o Nani vale 25 milhões e tem de fazer mais. Jogadores desse calibre, que valem tanto, têm de mostrar e fazer mais.

Esperas fazer parte dos sub-21?
Apesar de não haver europeu este ano, gostava de voltar. O último ano foi o único em que estive fora das selecções e tenho saudades em voltar. Não é uma obcessão mas sim um objectivo.

Qual a diferença entre jogar num clube e na selecção?
A selecção é sempre um orgulho representá-la. Representar o nosso país é extraordinário, apesar de ser o clube que paga.

Dá mais gosto jogar em Portugal ou lá fora perante os portugueses todos que temos espalhados pelo mundo?
Dá prazer das duas maneiras. Mas, é emocionante ver, no estrangeiro, que há pessoas que parece que já não vêem Portugal à muito tempo. Eu, por exemplo, quando ia com o Benfica ao estrangeiro era sempre uma loucura. Aqui é o apoio normal, mas lá fora é completamente incrível.




Álvaro Gonçalves
publicado por Álvaro Gonçalves às 13:16
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