Domingo, 23 de Dezembro de 2007

"A selecção que vence é sempre aquela que merece vencer"

http://patinslover.blogspot.com/

 

 

 

Decorreu entre o dia 25 de Novembro e 1 de Dezembro, no Chile, o Campeonato do Mundo de júniores, em hóquei em patins.

Portugal alcançou o 2º lugar, tendo perdido com a Espanha, na final, por 2-1.

À imagem do que se sucedeu com o Mundial de seniores em Julho, onde José Querido fez, para o blog, um rescaldo da competição, o mesmo acontece agora. Desta vez, cabe a Pedro Antunes dar a sua opinião acerca, essencialmente, da participação portuguesa na cidade de San Miguel. 

 

Como avalias a prestação portuguesa no Mundial?
Acho que foi excelente porque confirmou que, embora não tenha tido tanto tempo de preparação como o Chile e a Argentina, ficou à frente deles na classificação final, o que não era fácil.
Esta selecção já disputa europeus há vários anos e sofre poucas alterações de um ano para o outro.
Penso que a integração de 1 ou 2 jogadores do último ano, talvez tivesse sido interessante para a nossa selecção no entanto os resultados obtidos foram excelentes.
A derrota de Portugal contra o Chile, na última jornada do grupo, levantou muita contestação. A tua opinião na altura foi que o resultado serviu para evitarmos a Espanha e a Itália antes da final. Continuas a pensar da mesma forma?
A verdade é que continuo a pensar da mesma forma, embora, como seja normal, ninguém diga o contrário. O próprio Luís Sénica (seleccionador nacional de júniores) já me escreveu a confirmar que a vontade de Portugal era mesmo vencer. Mas eu continuo a pensar que foi uma derrota inteligente, pois jogar contra a França nos quartos de final não é a mesma coisa que jogar contra a Itália. E jogar contra a Argentina nas meias finais, também, não é a mesma coisa que jogar contra a Espanha, que como se veio a verificar, acabou por ser campeã do Mundo.
Quando a França joga contra Portugal é praticamente derrota assegurada para os gauleses, enquanto que contra a Itália a história é diferente.
Recordo apenas que no Europeu de Júniores de 2006, esta Itália derrotou este Portugal e que os jogadores eram basicamente os mesmos.
Mas não achas que, de certa forma, Portugal mostrou ter medo dessas selecções?
Portugal não tem medo de ninguém. Ser inteligente não significa ter medo.
Participei nos últimos 7 Campeonatos da Europa de Júniores e nunca vi Portugal jogar com medo de quem quer que seja. Isso posso-te assegurar.
Portugal mostrou ter boas soluções para o futuro?
Há muitos anos que Portugal mostra ter boas soluções para o futuro. Os jogadores que passaram pelas mãos do Prof. Pedro Martins, Vasco Vaz e, agora, Luís Sénica são todos bons jogadores.
Mas cada coisa a seu tempo. Não se pode continuar permanentemente a falar em renovações porque esse é, para mim, o maior problema da nossa selecção principal.
Nos seniores temos que levar os melhores, sejam eles novos ou velhos. Só assim poderemos voltar a ser um dia Campeões da Europa ou do Mundo.
A verdade é que Portugal voltou a ficar atrás da Espanha. Primeiro os juvenis e agora os júniores, já para não falar dos seniores. A diferença entre Portugal e Espanha nos escalões jovens é tão notória como nos seniores?
A diferença não é grande. Repara que os jogos entre Portugal e Espanha acabam quase sempre com diferenças mínimas.
Penso apenas que a Espanha tem uma maior disciplina táctica que Portugal, em todas as categorias. O jogo deles é muito mais pensado e muito mais defensivo que o jogo de Portugal. Em Portugal, em geral, os jogadores têm, no meu ponto de vista, muito mais espaço para a criatividade individual. Muitas vezes dá resultado, mas contra a Espanha, que também tem jogadores muito fortes individualmente, essa criatividade pode ser perigosa. E não é em 4 ou 5 semanas de trabalho, que podes corrigir todos os “defeitos” dos jogadores.
O Hóquei espanhol é basicamente muito mais táctico que o hóquei português e o resultado disso vê-se depois ao nível das selecções.
Há algum jogador Português que aches que vai dar frutos quando chegar a sénior?
Dos que conheço bem, penso que o Diogo Rafael, entre outros, vai dar que falar dentro de alguns anos, se continuar a trabalhar e a evoluir com dedicação e com muito espírito de sacrifício.
Mas também penso que há alguns jogadores júniores, que não fizeram parte desta selecção, que poderão, de certeza, dar frutos quando chegarem a seniores.
A Espanha foi uma justa campeã?
Esta foi uma “repetição” da final do Europeu de juvenis de 2004, em que a Espanha já tinha saído vencedora. Os jogadores eram praticamente os mesmos.
Penso que a selecção que vence é sempre, em princípio, aquela que merece vencer.
No entanto, é sempre importante felicitar todas as outras selecções, pois são elas que permitem que a competição aconteça. E porque, de certeza, cada uma delas deu o melhor de si mesma.
Mas como em todas as competições, “só pode ganhar um”! E campeonatos desta importância só há uma vez por ano para cada categoria.
“Para o ano há mais”! (risos)
 

http://www.mundialhockey.cl

 
Álvaro Gonçalves
 
 
publicado por Álvaro Gonçalves às 12:10
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