Segunda-feira, 5 de Novembro de 2007

"O treinador que mais me marcou foi o José Mourinho"

O Pedro Espinha é o treinador dos guarda-redes da selecção sub 19 de Portugal. Foi internacional A, representou Portugal ao mais alto nível,  e durante anos foi um dos principais guarda-redes do campeonato português. Os clubes que representou foram o Torreense, Académica, Sacavenense, Belenenses, Salgueiros, Guimarães, Porto e Setúbal.

 

 

 

 

O que o levou a ficar no futebol após ter terminado a carreira?
Acima de tudo, o gosto que tenho pelo futebol, mas a determinada altura vi que o meu projecto futuro era treinar guarda-redes, que é a área em que me sinto à vontade e que me sinto capaz de transmitir aos mais novos uma experiência adquirida ao longo de vários anos. Acho que é uma área em que se pode melhorar muito e eu vou fazer tudo por tudo para dar um bom contributo, para no futuro surgirem guarda-redes de qualidade.

 

Poderá sair desta selecção de sub-19 um futuro número 1 da selecção A?
Não é fácil dizer isso, mas, seguramente, qualquer um destes guarda-redes tem potencialidades para ter um futuro risonho. Quanto ao futuro na Selecção A é complicado, não é fácil mas posso garantir, repito, que qualquer um destes tem um futuro risonho.

 

É o Pedro que selecciona os guarda-redes?
Não selecciono mas dou opinião. Há já uma série de guarda-redes referenciados e, depois, através do visionamento quer de jogos quer de treinos faz-se uma selecção onde eu tenho uma palavra a dizer mas, no fundo, é o seleccionador que decide os guarda-redes a convocar.

 

Quais são os requisitos que um guarda-redes tem de possuir para ser chamado?
Os requisitos dependem de vários factores como a estatura, leitura de jogo, o jogo com os pés, a segurança, a elasticidade, tudo isto de forma a "desenhar-se" o modelo de um guarda-redes. É lógico que uns são superiores numa área e outros dominam melhor outra. No fundo, quem reunir mais requisitos serão os chamados. Mas toda a selecção começa numa triagem que vem desde os sub-15 e na qual os seleccionados regularmente vão sendo trabalhados.

 

Falando um pouco da sua carreira de jogador, qual o balanço que faz dela?
Eu acho que é positivo. Foram, praticamente, quase vinte anos como profissional, atingi quase todos os objectivos a que propus à excepção de não ter sido campeão nacional, que foi a unica coisa que não consegui. Mas joguei vários anos na primeira divisão, fui internacional, ganhei uma Taça de Portugal, uma Supertaça, participei em competições europeias e fiz duzentos e cinquenta jogos na Primeira Liga. Portanto, acho que foi uma carreira bastante positiva e a unica coisa que me faltou foi, realmente, ter sido campeão nacional.

 

Acha que poderia ter ido mais além?
Talvez. É difícil estar sempre satisfeito com aquilo que fazemos porque eu sempre dirigi a minha carreira por querer sempre mais do que aquilo que tive mas reconheço que não era fácil atingir muito mais do que aquilo que consegui. Por tudo isso considero a minha carreira positiva.

 

Representou Portugal no Euro 2000.O que sente um jogador quando representa o seu país num Europeu de Futebol?
É uma sensação que só estando lá dentro é que se consegue sentir. Descrever, posso dizer que foi a experiência mais enriquecedora porque participar numa competição desse nível é o top e tive a felicidade de pertencer a um grupo que chegou às meias finais do Europeu, poderíamos ter sido campeões europeus. Para além disso, guardo como boa recordação desse Europeu, aquele célebre jogo que Portugal ganhou à Alemanha por 3-0 com três golos do Sérgio Conceição e, no fundo, esse foi o jogo mais marcante da minha carreira.

 

Nesse Europeu qual o ambiente que se viveu após o polémico jogo frente à França, nas meias finais?
Foi um ambiente de frustração, revolta e ao mesmo tempo de dever cumprido. Havia vários candidatos a vencer o Europeu, Portugal foi subindo gradualmente tanto o nível exibicional como a auto-confiança e chegámos às meias finais com a França. Poderíamos ter sido campeões europeus mas o resultado de toda aquela polémica foi, apesar da derrota, um sentimento de dever cumprido mas também de frustração porque podíamos ter ido mais além.

 

Depois do Europeu, rumou ao F.C.Porto. Surpreendeu-o esse convite?
Sim e não. Não é fácil um guarda redes com 34 anos chegar a um clube grande, mas na altura o Vítor Baía tinha saído, o Ovchinnikov foi contratado e, no fundo, o Futebol Clube do Porto queria um guarda redes que lutasse de igual para igual com o Ovchinnikov. Mas atendendo a tudo o que tinha feito ao longo da minha carreira poderia ter sido mais cedo mas foi a altura em que se proporcionou. No fim, fiquei orgulhoso por ter representado um grande.

 

Antes de assinar pelo F.C.Porto, tinha preferência por outro grande?
É lógico que quando começamos a jogar em pequeninos temos sempre preferência por alguma equipa. Mas quando iniciamos a carreira profissional, a preferência clubística é logo posta de lado e encaramos todos os clubes como viáveis. Fosse o clube que fosse eu estaria disponível e seria uma grande honra representar qualquer um dos
grandes. Foi o Futebol Clube do Porto e foi muito gratificante ter passado dois anos numa casa onde se está habituado a ganhar, onde se cria uma mentalidade ganhadora e isso também contribuiu para que hoje seja uma pessoa ambiciosa e onde me meto nas coisas sempre para triunfar e singrar.

 

Qual o clube que mais gostou de representar?
É complicado porque todos os clubes me deram ensinamentos. Por todas as equipas por que passei guardo boas recordações. Mas, sem dúvida, o Futebol Clube do Porto por ser um clube da dimensão que é e por me ter proporcionado a possibilidade de jogar nas competições europeias. É lógico que é um clube marcante, assim como o Belenenses, onde nasci para o futebol. O Vitória de Guimarães também me marcou bastante pela sua massa associativa que é fantástica. Todos os outros tive orgulho em representar, mas estes três foram os mais marcantes. Também tenho muita pena que um clube especial como o Salgueiros tenha acabado. Era de uma cidade grande mas era uma região onde havia uma mística muito especial.

 

Quais os melhores momentos que guarda da sua carreira?
Essencialmente a minha primeira internacionalização, o ter jogado o tal jogo no Europeu contra a Alemanha que ainda hoje é histórico porque foi o melhor resultado de Portugal frente à Alemanha e a vitória na Taça de Portugal.Estes são, para mim, os melhores momentos da minha carreira.

 

Como já referiu, jogou no Guimarães. Custou-lhe, a época passada, ter visto o Vitória na Segunda Divisão?
Sim, claro. Custou muito. É uma situação que ninguém imaginava, pela dimensão que o Vitória adquiriu, pelo peso da instituição e pela sua massa associativa. Se me dissessem no início da época que o Vitória ia descer eu juraria que isso nunca fosse acontecer. O Vitória tinha uma boa equipa, tem excelentes estruturas e é uma equipa que está habituada a lutar pelos lugares europeus. Foi uma situação histórica pois, penso eu, que há cinquenta e poucos anos isso não acontecia. Ninguém de bom juizo poderia dizer que o Vitória ia descer. Mas por muito paradoxo que pareça, essa situação acabou por ter efeitos positivos como o sentimento vitoriano ter vindo mais ao de cima. O momento da descida foi muito triste mas com certeza a passagem pela Liga de Honra e toda a aventura da subida fez com que acordasse um pouco aquela massa associativa que é especial.

 

Houve algum treinador que o tenha marcado em especial?
Todos. Uns mais, outros menos. Ao longo da carreira todos os treinadores nos marcam, uns de forma positiva, outros por alguns aspectos menos positivos. Apesar de ter trabalhado pouco tempo com ele, o treinador que mais me marcou por tudo aquilo que ele domina e que tem-se vindo a confirmar, realmente, como um treinador de top, foi o José Mourinho.

 

Quem eram as suas referências no futebol quando iniciou a carreira?
Na altura os guarda-redes de minha referência eram o Bento e o Damas. Mais tarde o Vitor Baía porque, ainda novo, já mostrava ser o guarda-redes seguro e completo que chegou a vir a ser, marcando uma geração.

 

Como avalia o futebol português actualmente?
Tem aspectos positivos outros menos positivos e tem aspectos negativos. Penso que as equipas estão mais competitivas, há um maior equilíbrio, não há tanta qualidade como gostaria que houvesse mas noto que, hoje em dia, mesmo nos escalões mais baixos já há gente a trabalhar com bastante qualidade. Portanto, dentro de poucos anos se continuarmos a trabalhar assim, Portugal vai continuar a subir e a aumentar os índices de competitividade.

 

A Selecção A vai estar no Euro 2008?
Vai, porque, neste momento, Portugal depende de si próprio, teóricamente quatro pontos chegam e com dois jogos com a Finlândia e a Arménia penso que vamos ganhar. Não conseguir a qualificação é como dizerem no início da época que o Vitória vai descer de divisão (risos). Seria uma catástrofe. Vamos com certeza estar no Europeu.

 

 

 

 

Um dos melhores momentos da carreira

 

 

 

 Álvaro Gonçalves

 


 
 

publicado por Álvaro Gonçalves às 16:45
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