Tiago Nené é um poeta que está prestes a lançar o primeiro livro.
Como surgiu o gosto pela poesia?
O gosto pela poesia surgiu na adolescência. Não tive uma adolescência fácil, tinha uma vida interior muito grande. Nessa altura como que ainda não me tinha encontrado. Como diz um dos meus poemas "estava para o mundo como o mundo para o universo". Incompreendido,
pelas ideias e pela maneira de estar, ia tentando várias personalidades até achar uma que me coubesse. E apesar de terem sido tempos difíceis e de insatisfação, cresci imenso e finalmentre pude conhecer-me. Ouso dizer que me conheço bem. Durante esses tempos experimentei aquilo que eu considero ser "diálogos comigo mesmo", a poesia, claro está. Tinha uma escrita tipicamente adolescente. Com o tempo fui conhecendo grandes autores da literatura mundial, que me fizeram refinar o estilo.
Tenho grandes influências na poesia. No panorama nacional, Álvaro de Campos. No estrangeiro as minhas preferências são variadas.
Se tivesse de citar dois, e por serem os mais recentes, diria Uberto Stabile e Charles Bukowski.
Hoje em dia a minha escrita tem muitas imagens. Gosto que o leitor visualize coisas. Gosto de palavras sugestivas que o levem para lugares e para cenas. Uberto Stabile "deu-me" algum do seu surrealismo. Agrada-me ter de distorcer a realidade para passar uma mensagem. Esta característica surge muito num certo tipo de cinema. Lars Von Trier e Tim Burton são influências. Gosto de ir buscar ideias a outras artes e adaptá-las à poesia. Para mim a arte não pode ter limites.
Foi fácil arranjar alguém que te ajudasse a lançar o livro?
Lançar poesia não é, de todo, fácil. Eu considero que tenho um estilo diferente e, como disse, muito influenciado por aquilo que se faz lá fora. Isso pode ser uma vantagem, mas muitas vezes é uma desvantagem. Há muito conservadorismo em Portugal e somos muito avessos à mudança. O próprio Fernando Pessoa teve muitos problemas para publicar. Quanto a mim, tive a sorte de a Magna Editora estar atenta ao que escrevo por essa internet fora e me ter feito uma proposta de edição.
Como defines o teu público-alvo?
Grandes amantes de poesia, como eu. Nomeadamente a poesia de ideias, aquela que prefiro. Só essa poesia me causa verdadeiramente emoções.
Enquanto escritor de poesia sou um observador. Busco sempre encontrar as melhores ideias, dentro da linguagem mais simples.
Um bom verso é aquele que o leitor ao ler diz "é isto mesmo! como é que não pensei nisto antes?". Sem dúvida os versos mais difíceis de acontecer.
Mas eu não me demito nunca do meu papel. Ser ambicioso faz parte da minha personalidade.
De que forma é feita a "publicidade" ao livro?
Vai haver duas sessões de apresentação. Uma em Lisboa, dia 29 de Setembro pelas 16:00, no Magnolia Caffé (Praça de Londres), dos melhores sítios da capital quanto a mim e haverá outra no Algarve, na Fnac do Algarve Shopping, que ainda não tem data.
De resto, haverá outras formas de promoção (jornais, revistas, etc..) Também tive um convite de uma estação de televisão, mas ainda não posso falar sobre isso (risos).
O livro estará à venda em todo o país ou somente no sul de Portugal?
O livro estará à venda em várias livrarias em todo o país. No site da Magna Editora está uma lista com as livrarias onde o livro estará à venda. Também várias livrarias online venderão o livro, o que até é mais cómodo, entre as quais, e passe a publicidade, a Fnac. Deste modo, até do estrangeiro dá para adquiri-lo.
Já tens projectos futuros em mente?
Tenho vários projectos em mente, mas primeiro quero consolidar a minha posição enquanto escritor de poesia. Recebi um convite interessante para integrar um projecto educativo nos Palops (Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa), através de uma ONG. E porque é importante sensibilizar para a importância dos livros, quero, claro, dar a minha contribuição.
No futuro talvez escreva teatro. É algo que me atrai.
COCKTAIL BUKOWSKI
Naquele dia
Vestira o meu corpo
Sem a alma,
Vestira o meu corpo
Sem a alegria,
Lavei os dentes
E esqueci-me do sorriso no lavatório,
Lavei as mãos
E deixei o tacto na toalha;
Nesse dia
Após o trabalho fui dormir,
Deitei o corpo
E reecontrei a alma.
No dia seguinte
Vesti a alma
E deixei metade do corpo esquecido
E a memória no secador de cabelo...
E algo inesquecível de que não me lembro aconteceu:
Porque hoje tenho a alma mutilada
E nem o corpo tenho.
FIM
Sites a consultar:
. Júlio Magalhães apresenta...
. Maré volta a Bazar durant...
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. OK4U
. http://HOLISTIKOS.blogspot.com
. Ouve-se
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